quinta-feira, julho 1

UM ANO DE VÊNUS

coração Olá!

Tudo bem?

Saia de casa

só pelo gosto

de caminhar. Sorria

para todos. Faça um álbum

de família. Conte estrelas.

Telefone para os amigos. Diga: eu

gosto de você. Converse com Deus. Volte

a ser criança. Pule corda. Apague de vez a

palavra rancor. Diga “sim”. Cante uma canção.

Lembre o aniversário de seus amigos. Ajude alguém

doente. Pule para se divertir. Mude de penteado. Esteja

disponível para escutar. Deixe seu pensamento viajar. Retribua

um favor. Termine aquele projeto. Quebre a rotina. Tome um banho

de espuma. Escreva uma lista de coisas que dão prazer. Faça uma

gentileza. Escute os grilos. Agradeça pelo Sol. Aceite um elogio. Perdoe-se.

Deixe que alguém cuide de você. Demonstre que está feliz. Faça alguma

coisa que sempre desejou. Olhe com atenção uma flor. Evite dizer “não posso”.

Cante no chuveiro. Viva intensamente cada minuto de sua vida. Inicie uma

tradição familiar. Faça piquenique na praça ou no quintal. Não se

preocupe. Tenha coragem nas pequenas coisas. Ajude um idoso. Afague

uma criança. Reveja coisas antigas. Escute um amigo. Feche os olhos e

imagine as ondas do mar. Brinque com sua mascote. Dê uma palmadinha nas

próprias costas. Torça pelo seu time. Pinte um quadro. Cumprimente

um novo vizinho.

Conpre um presente para

você mesmo. Mude alguma

coisa. Delegue tarefas.

Diga “bem vindo!” a quem

chegou. Agradeça. Saiba

que não está só. Decida-se

a viver com paixão. Sem

ela, nada de grande se consegue.

E ESTE ANO?

O que você acha? Está sendo um ano bom, médio ou ruim? Todos nós sabemos que somos os artífices de nossa vida, podendo transformá-la em algo fenomenal ou péssima. Eu estou fazendo um balanço de tudo o que está acontecendo neste ano, e – surpresa! – não está muito diferente dos anos anteriores. Em algumas coisas bastante positivo, mas em outras... dá vontade de chorar! Os erros cometidos e que poderiam ter sido evitados. E aí, comecei a lembrar da letra de uma música (eu acho) de alguns anos atrás. Tipo assim...

Se for para...chuva

... perder, que seja a inveja;

... chorar, que seja de alegria;

... partir, que seja uma melancia;

... gritar, que seja Goooollll!

... bater, que seja a massa do pão;

... lutar, que seja no futebol;

... cair, que seja na gandaia;

... beber, que seja água geladinha;

... ter saudade, que seja de um pôr-do-sol;

... brigar, que seja pela ecologia;

... correr, que seja na maratona;

... haver guerra, que seja da cerveja;

... dar um abraço, que seja sincero!

E daí? Vai encarar esta metade que falta ou vai se esconder?

A escolha é sua.

Rejane Barbisan

VOCÊ

Você é a marca que o tempo não apaga.1188420405

Você é capaz de tudo.

Você pode acender uma luz e anular as trevas.

Também pode abrir o horizonte, para que os outros

encontrem o caminho.

Você pode ser o amanhecer, para longas noites.

Você pode ser o sol, que ilumina o dia de muitos corações.

Você pode ser a paz que os outros procuram.

Você pode ser a esperança de quem busca o melhor.

Você pode ser a força, que impulsiona o caminhar.

Você pode ser o amor, pois o amor transforma a vida.

Você pode ser o impulso, que conduz à estrada.

Você pode ser a escada, que ajuda alguém a subir.

Você pode ser a viga, que sustenta a construção.

Você pode ser a construção que marca a unidade.

Você pode ser a âncora,

A força,

Que ajuda alguém a ser mais!

(Autor desconhecido)

AQUELES QUE EU AMAVA

George L. Hendelflor02

Aqueles que eu amava com um louco amor

me aplicaram os mais duros golpes.

Eles abriram em mim feridas

jamais curadas.

Eu as dissimulei

no meu mais profundo sofrimento,

como o único tesouro

que eu tinha o direito de esperar.

Foi portanto o mais precioso bem

que em humildade nesta Terra

recebi, acolhendo com um sorriso

quando meu coração estava martirizado.

Por seu próprio tormento

a dor se consome

e consome o mal

qua há tempo nos oprime.

E consome os males

que um olhar vazio nos causavam,

que pesados nossos pés tornavam

e ao pó nos reduziam.

Como acima do horizonte

vagueando um pássaro que se delicia

no vento com uma nuvem,

voa sereno o meu pensamento.

Portador da lembrança

e de uma infindável felicidade,

doravante irradiando

um amor sem sofrimento.

A MÁQUINA DO MUNDO

E como eu palmilhasse vagamenteansiedade

uma estrada de Minas, pedregosa,

e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos

que era pausado e seco; e aves pairassem

no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo

na escuridão maior, vinda dos montes

e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu

para quem de a romper já se esquivava

e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,

sem emitir um som que fosse impuro

nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção

contínua e dolorosa do deserto,

e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende

a própria imagem sua debuxada

no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando

quantos sentidos e intuições restavam

a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,

se em vão e para sempre repetimos

os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,

a se aplicarem sobre o pasto inédito

da natureza mítica das coisas,

assim me disse, embora voz alguma

ou sopro ou eco o simples percussão

atestasse que alguém, sobre a montanha,

a outro alguém, noturno e miserável,

em colóquio se estava dirigindo:

"O que procuraste em ti ou fora de

teu ser restrito e nunca se mostrou,

mesmo afetando dar-se ou se rendendo,

e a cada instante mais se retraindo,

olha, repara, ausculta: essa riqueza

sobrante a toda pérola, essa ciência

sublime e formidável, mas hermética,

essa total explicação da vida,

esse nexo primeiro e singular,

que nem concebes mais, pois tão esquivo

se revelou ante a pesquisa ardente

em que te consumiste... vê, contempla,

abre teu peito para agasalhá-lo."

As mais soberbas pontes e edifícios,

o que nas oficinas se elabora,

o que pensado foi e logo atinge

distância superior ao pensamento,

os recursos da terra dominados,

e as paixões e os impulsos e os tormentos

e tudo que define o ser terrestre

ou se prolonga até nos animais

e chega às plantas para se embeber

no sono rancoroso dos minérios,

dá volta ao mundo e torna a se engolfar

na estranha ordem geométrica de tudo,

e o absurdo original e seus enigmas,

suas verdades altas mais que tantos

monumentos erguidos à verdade;

e a memória dos deuses, e o solene

sentimento de morte, que floresce

no caule da existência mais gloriosa,

tudo se apresentou nesse relance

e me chamou para seu reino augusto,

afinal submetido à vista humana.

Mas, como eu relutasse em responder

a tal apelo assim maravilhoso,

pois a fé se abrandara, e mesmo o anseio,

a esperança mais mínima — esse anelo

de ver desvanecida a treva espessa

que entre os raios do sol inda se filtra;

como defuntas crenças convocadas

presto e fremente não se produzissem

a de novo tingir a neutra face

que vou pelos caminhos demonstrando,

e como se outro ser, não mais aquele

habitante de mim há tantos anos,

passasse a comandar minha vontade

que, já de si volúvel, se cerrava

semelhante a essas flores reticentes

em si mesmas abertas e fechadas;

como se um dom tardio já não fora

apetecível, antes despiciendo,

baixei os olhos, incurioso, lasso,

desdenhando colher a coisa oferta

que se abria gratuita a meu engenho.

A treva mais estrita já pousara

sobre a estrada de Minas, pedregosa,

e a máquina do mundo, repelida,

se foi miudamente recompondo,

enquanto eu, avaliando o que perdera,

seguia vagaroso, de mão pensas.

Carlos Drummond de Andrade

In Claro Enigma 1951